Ela ia descendo a rua calmamente, olhando para o chão como a contar os passos, não erguia a cabeça em momento algum, nem para ver as pessoas que raramente passavam. O silêncio era seu parceiro, estava perdida em seus pensamentos como se estivesse no meio de uma batalha com a sua mente, e pelo despero estampado em sua face posso afirmar que ela estava perdendo.
Andava mais rápido agora, ia se embrenhando nas ruazinhas mal iluminadas da cidade e mesmo assim não olhava para os lados, ela ja conhecia aqueles becos bem de mais, não precisa olhar para ver aonde ia. De repente ela parou e levantou os olhos para um barraco pequeno, que mal parava em pé, olhou para a porta de madeira que estava cheia de furos e manchas pretas, e nesse momento seus pensamentos voaram, como se voltasse no tempo, indo buscar uma lembrança importante para se agarrar e poder seguir em frente, mas foi rápido demais e ela ja estava novamente na realidade, como se tivesse caído ali daquele lugar. Olhou rápido para os lados com medo de ser vista e entrou. Acendeu o lampião e olhou ao redor, esperando acordar daquele pesadelo. Era um cômodo abafado, com uma cama pequena em canto uma mesinha do outro lado e um fogãozinho no espaço que ainda restava, nao tinha janelas e apenas uma cadeira, ela não tinha ninguem para dividir aquele lugar, estava sozinha.
Nas paredes podia ver recortes de jornal com noticias antigas, fotos de festas e pessoas rindo felizes, de jantares suntuosos, casais bem vestidos. Era uma vida oposta a que ela tinha.
Mas ela ja estava em uma idade avançada para sonhar com aquelas coisas, podia-se perceber o brilho no olhar quando fitava aqueles recortes,era de saudades, de esperança. Como se esperasse voltar aos velhos tempos. Sim aquelas era suas memórias, as únicas que ainda podia cotemplar.
Aquilo tudo fora dela, as roupas, as festas, a riqueza a popularidade, mas agora não havia restado nada alem das lembranças. Nem todas as coisas da vida duram para sempre, e quando tudo que conquistou pode contar em números, já é tarde demais para voltar atrás. Tudo que havia de importante para se construir e viver foi substituído pelo prazer da posse, não foi difícil trocar seus sonhos por um punhado de notas, não naquele momento, mas depois de tanto tempo a única coisa que ficou para te acompanhar foi aquele sabor amargo do arrependimento.
Sou eu o senhor do meu destino! Sou eu o capitão da minha alma!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Resolvi sentar um pouco, o sol me castiga e nem tenho certeza se era verão ou se era eu que não tinha muita intimidade com o calor. Aproveitei o banco mais escondido e que tinha uma sombra tão reconfortante, se bem que sombras não reconfortam, elas no mínimo refrescam. O lugar era silencioso e era possível ver tudo e não ser notado.
Eu nunca quis que me notassem mesmo, eu só esperei que alguém pudesse me compreender, mas sempre falam que pedimos mais do que as pessoas podem fazer.
Eu olhava as pessoas ao redor, procurando a beleza das coisas da vida, mas todos passavam apressando tropeçando uns nos outros, virando a cara, xingando alguém que interrompeu o percurso.Desisti. Fechei os olhos e esqueci de tudo por uns momentos.
Naquele instante eu não sabia se era pior enfrentar o sol ou enfrentar as pessoas.
As vezes acho que é realmente sensato acreditar que não importa a quantidade de pessoas ao nosso redor, nós chegamos e partimos desta vida completamente sós, isso até pode ser um plagio que algum escritor, uma repetição monótona de muitos textos, mas não escapa de ser verdade.
Não podemos negar que companhias são boas, mas as vezes são incovenientes. Ninguém te compreende do jeito que você gostaria, nem partilha de opiniões semelhantes.
Ficar apenas olhando as pessoas que passam ao seu redor ou pela tua vida faz com que aprendamos enormemente.
Eu nunca quis que me notassem mesmo, eu só esperei que alguém pudesse me compreender, mas sempre falam que pedimos mais do que as pessoas podem fazer.
Eu olhava as pessoas ao redor, procurando a beleza das coisas da vida, mas todos passavam apressando tropeçando uns nos outros, virando a cara, xingando alguém que interrompeu o percurso.Desisti. Fechei os olhos e esqueci de tudo por uns momentos.
Naquele instante eu não sabia se era pior enfrentar o sol ou enfrentar as pessoas.
As vezes acho que é realmente sensato acreditar que não importa a quantidade de pessoas ao nosso redor, nós chegamos e partimos desta vida completamente sós, isso até pode ser um plagio que algum escritor, uma repetição monótona de muitos textos, mas não escapa de ser verdade.
Não podemos negar que companhias são boas, mas as vezes são incovenientes. Ninguém te compreende do jeito que você gostaria, nem partilha de opiniões semelhantes.
Ficar apenas olhando as pessoas que passam ao seu redor ou pela tua vida faz com que aprendamos enormemente.
E o dia foi salvo
A chuva cai. E é mais do que água escorrendo. É a água lavando a alma, levando embora toda a sujeira que acumulou, todo o pó que de repente esta tão espesso. Prece que não chove faz décadas, estou seca. Desesperada por essa chuva, preciso regar meus sonhos, refrescar meus desejos e apagar minhas tristezas. A água vai levando embora, devagarinho todas as pedras que estavam comigo, vai abrindo espaço violentamente para os brotos que queriam nascer.
Eu ouço cada gota como se fosse uma jóia batendo no chão, o meu tesouro mais precioso que não tem preço, mas me é muito caro. Cada pingo me faz querer viver para sempre, e não perder nenhum desses momentos, nascendo de novo a cada chuva. Fecho os olhos e sinto a água no meu rosto, sinto o cheiro da chuva, o sabor do vento como se cada parte de mim ansiasse por aquilo. As gotas escorrem pelo meu corpo e vão se misturando umas nas outras, eu vou escorrendo junto, como uma parte delas, vou indo embora pra longe, coma chuva, para onde ela for.
Eu ouço cada gota como se fosse uma jóia batendo no chão, o meu tesouro mais precioso que não tem preço, mas me é muito caro. Cada pingo me faz querer viver para sempre, e não perder nenhum desses momentos, nascendo de novo a cada chuva. Fecho os olhos e sinto a água no meu rosto, sinto o cheiro da chuva, o sabor do vento como se cada parte de mim ansiasse por aquilo. As gotas escorrem pelo meu corpo e vão se misturando umas nas outras, eu vou escorrendo junto, como uma parte delas, vou indo embora pra longe, coma chuva, para onde ela for.
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