Quando olhou para o céu sentiu que estava novamente sozinha, mas intimamente sentiu um alívio tão sincero que por um momento achou que estava sendo egoísta, não tinha certeza de que caminho deveria tomar, mas naquele momento nem pensava em nada. Aquela escuridão da madrugada e as estrelas a perfurarem o céu lhe hipnotizavam.
Queria se convencer de que iria sofrer se ficasse sozinha, que precisava de alguem ao seu lado, mas não conseguia, não era uma mentira que poderia se tornar verdade se ela acreditasse, estava bem e apesar de ninguém acreditar nisso, procurava um tempo para ficar sozinha consigo mesma.
Não que fosse dificil, mas as vezes parecia não surgir oportunidades. Agora ela olhava a lua e sorria, pensando nas coisas que aconteceram e no que ainda estava por vir. Tinha tanto a decidir, mas nao queria nem pensar a respeito, queria só aproveitar a solidão que a envolvia. Era mais que estar só, era estar de alguma forma livre de tudo, até de si mesma.
Levantou do banco e foi caminhando, escutando apenas os seus passos que ecoavam na noite, sentiu um vento morno a envolver-lhe como um abraço, e não sentiu saudades, olhou o céu e viu as nuvens surgindo aos poucos, em instantes pode sentir a chuva cair, quente e pesada, lavando seu corpo e levando embora com as gotas, aquelas memórias que a perseguiram no passado.
Sou eu o senhor do meu destino! Sou eu o capitão da minha alma!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Partida
Tirei os arreios do cavalo e deixei ele livre para fazer o que quisesse, sentei no chão e fiquei olhando o vulto se distanciar, o silencio me pegou fitando as estrelas, meus pensamentos viajavam longe, a procura de uma outra direção para irmos.
Levantei,olhei ao redor o acampamento estava escuro, todos já haviam se recolhido era a minha vez, mas tinha alguns assuntos para resolver, entrei no jipe e fui embora. Deixei carro no pátio e fui juntar minhas coisas, eram tão poucas que cabiam em uma mochila, não tinha ali lembrança nenhuma a levar e minhas roupas eram escassas, o que mais fazia volume eram os livros, alguns muito velhos, mas que eu nao conseguia me desfazer. Fechei tudo e deixei minha pequena tenda arrumada, como se ninguem tivesse estado ali. Ao amanhecer iriam perceber minha partida, mas nesse momento estariamos muito longe. Eu tinha decidido partir novamente e deixar a civilização para trás de vez. Ia junto com a caravana, morar no deserto, ou aonde quer que eles fossem. Essa liberdade me perseguia e após resistir tanto tempo, ela estava hoje me levando de vez.
Saí ainda era noite, tinha umas 4 horas até amanhacer,teria tempo de chegar ao acampamento no momento em que eles estivessem partindo. Ao partir não olhei para tráz já sabia o que estava deixando e havia levado tempo demais para me decidir, talvez dessa forma eu teria certeza de não me arrepender , mas isso era algo dificil de saber naquele momento.
Avistei ao longe as luzes do acampamento. Elas se moviam, aparentemente já estavam se aprontando para partir, apertei o passo, com medo de perder o momento de novo, pois sabia que eles não me esperariam, esse era o trato. Afinal eu não poderia atrasar a partida, era disso que dependia o futuro deles.Precisavam ir embora rápido sem deixar vestígios nem pegadas, permanecer com seus destinos anônimos.
Ao me avistarem, acenaram e percebi que ficaram felizes em me ver, me senti parte de algo importante, me senti especial sem perder nada. Peguei meu cavalo, meu único bem e meu companheiro, montei e esperei a marcha iniciar. Fui chamada a frente da caravana e junto com outros decidi o caminho a seguir, minha opinião foi questionada e ouvida, eu já fazia parte deles e minha parte não era pequena.
Era madrugada ainda, as estrelas brilhavam nos indicando o caminho, iamos em busca de uma nova casa, que duraria pouco, mas que como todas as outras teria um papel importante na vida de todos. E eu ia em busca da minha liberdade,em uma perseguição acirrada sem deixar que ela tomasse vantagem alguma e se perdesse de mim.
Levantei,olhei ao redor o acampamento estava escuro, todos já haviam se recolhido era a minha vez, mas tinha alguns assuntos para resolver, entrei no jipe e fui embora. Deixei carro no pátio e fui juntar minhas coisas, eram tão poucas que cabiam em uma mochila, não tinha ali lembrança nenhuma a levar e minhas roupas eram escassas, o que mais fazia volume eram os livros, alguns muito velhos, mas que eu nao conseguia me desfazer. Fechei tudo e deixei minha pequena tenda arrumada, como se ninguem tivesse estado ali. Ao amanhecer iriam perceber minha partida, mas nesse momento estariamos muito longe. Eu tinha decidido partir novamente e deixar a civilização para trás de vez. Ia junto com a caravana, morar no deserto, ou aonde quer que eles fossem. Essa liberdade me perseguia e após resistir tanto tempo, ela estava hoje me levando de vez.
Saí ainda era noite, tinha umas 4 horas até amanhacer,teria tempo de chegar ao acampamento no momento em que eles estivessem partindo. Ao partir não olhei para tráz já sabia o que estava deixando e havia levado tempo demais para me decidir, talvez dessa forma eu teria certeza de não me arrepender , mas isso era algo dificil de saber naquele momento.
Avistei ao longe as luzes do acampamento. Elas se moviam, aparentemente já estavam se aprontando para partir, apertei o passo, com medo de perder o momento de novo, pois sabia que eles não me esperariam, esse era o trato. Afinal eu não poderia atrasar a partida, era disso que dependia o futuro deles.Precisavam ir embora rápido sem deixar vestígios nem pegadas, permanecer com seus destinos anônimos.
Ao me avistarem, acenaram e percebi que ficaram felizes em me ver, me senti parte de algo importante, me senti especial sem perder nada. Peguei meu cavalo, meu único bem e meu companheiro, montei e esperei a marcha iniciar. Fui chamada a frente da caravana e junto com outros decidi o caminho a seguir, minha opinião foi questionada e ouvida, eu já fazia parte deles e minha parte não era pequena.
Era madrugada ainda, as estrelas brilhavam nos indicando o caminho, iamos em busca de uma nova casa, que duraria pouco, mas que como todas as outras teria um papel importante na vida de todos. E eu ia em busca da minha liberdade,em uma perseguição acirrada sem deixar que ela tomasse vantagem alguma e se perdesse de mim.
sábado, 16 de outubro de 2010
A noite
Os cavalos já estavam acostumados com a noite e a areia. O frio era o que mais assustava, mas nós havíamos passado por situações semelhantes inúmeras vezes e aquilo era apenas uma brisa. Para mim significava mais, me sentia mais livre do que em qualquer outro momento, poderia conquistar o que quisesse, só que não queria adquirir bens, queria preencher alma e satisfazer meus instintos.
Íamos todos em silêncio, era algo natural em nós, não tínhamos o que falar ainda e sabíamos os procedimentos, apenas olhávamos o céu e admirávamos as estrelas, por que a lua naquele momento estava nos dando a chance de permanecermos anónimos. Eu sentia o calor que saia da minha montaria e me aquecia também e mais que isso, sentia o pulsar ritmado do seu coração, como se fosse parte de mim, batendo compassado com o meu, ambos calmos fazendo algo que nos satisfazia.
Meus olhos ardiam um pouco, devido ao frio, afinal eram a única parte do meu corpo em contato com o ar, o restante encontrava-se completamente encoberto por roupas pretas e um turbante, para proteger do frio e esconder a identidade.
As luzes escassas da cidade começavam a despontar vagarosamente, ainda estava longe mas avançávamos rápido e em questão de minutos já estaríamos começando a agir. Senti um arrepio percorrer meu corpo, criando um misto de prazer e medo, fazendo com que me sentisse mais viva. A cidade tinha enormes muralhas, mas que de forma alguma eram um obstáculo. Em todos os roubos feitos, nunca fomos pegos ou vistos, não deixávamos pistas nem vestígios se não fosse a falta dos objetos não saberiam que alguém entrou sem ser convidado.
Me encontrava a uns cem metros do portão principal, esperamos a confirmação de que todos estavam em seus lugares e nos preparamos. O silencio do deserto e a cumplicidade da lua nos encobria. Prontos escalamos os muros como quem sobe escadas, não éramos amadores e sabíamos os riscos. Dentro da cidade nos esgueiramos, mesmo que desnecessariamente, pois naquelas noites frias ninguém se aventurava a sair. Pegávamos de tudo, dinheiro, comida, roupas, armas e alguns de nós tinham seus próprios tesouros a caçar. Em trinta minutos já estávamos longe dos muros da cidade e tudo la dentro continuava igual, talvez algumas coisas faltavam, mas ninguém morreria por isso.
Íamos todos em silêncio, era algo natural em nós, não tínhamos o que falar ainda e sabíamos os procedimentos, apenas olhávamos o céu e admirávamos as estrelas, por que a lua naquele momento estava nos dando a chance de permanecermos anónimos. Eu sentia o calor que saia da minha montaria e me aquecia também e mais que isso, sentia o pulsar ritmado do seu coração, como se fosse parte de mim, batendo compassado com o meu, ambos calmos fazendo algo que nos satisfazia.
Meus olhos ardiam um pouco, devido ao frio, afinal eram a única parte do meu corpo em contato com o ar, o restante encontrava-se completamente encoberto por roupas pretas e um turbante, para proteger do frio e esconder a identidade.
As luzes escassas da cidade começavam a despontar vagarosamente, ainda estava longe mas avançávamos rápido e em questão de minutos já estaríamos começando a agir. Senti um arrepio percorrer meu corpo, criando um misto de prazer e medo, fazendo com que me sentisse mais viva. A cidade tinha enormes muralhas, mas que de forma alguma eram um obstáculo. Em todos os roubos feitos, nunca fomos pegos ou vistos, não deixávamos pistas nem vestígios se não fosse a falta dos objetos não saberiam que alguém entrou sem ser convidado.
Me encontrava a uns cem metros do portão principal, esperamos a confirmação de que todos estavam em seus lugares e nos preparamos. O silencio do deserto e a cumplicidade da lua nos encobria. Prontos escalamos os muros como quem sobe escadas, não éramos amadores e sabíamos os riscos. Dentro da cidade nos esgueiramos, mesmo que desnecessariamente, pois naquelas noites frias ninguém se aventurava a sair. Pegávamos de tudo, dinheiro, comida, roupas, armas e alguns de nós tinham seus próprios tesouros a caçar. Em trinta minutos já estávamos longe dos muros da cidade e tudo la dentro continuava igual, talvez algumas coisas faltavam, mas ninguém morreria por isso.
domingo, 3 de outubro de 2010
O acampamento
Um avião roncou muito longe, quase imperceptível como se o calor abafasse também os sons, eu nem conseguia pensar, nem levantar. Esperei o som desaparecer e continuei sem me mover, esperando que dessa forma parasse de sentir calor. Pelas janelas eu via somente o sol e a areia, por mais que as horas passassem não mudava em nada a temperatura. Eu me sentia derreter aos poucos, precisava fazer algo para mudar aquela triste cena, queria sair, chegar em algum mais agradável. Levantei. Acho que levei uns trinta minutos nessa manobra, resolvi tomar um banho. Não sei o que era mais quente, meu corpo ou a água. Nem havia terminado de me secar e já escorria suor e só de pensar em colocar uma roupa me senti mais quente. Não sei como consegui, mas depois de algum tempo estava pronta para sair.
Subi no jipe e fui em na direcção oposta do sol, não que eu pretendesse fugir dele, mas meus objectivos eram do outro lado. Andando o mais rápido que a areia permitia eu pude enfim sentir uma brisa, mesmo que morna, a me refrescar. Ao redor eu só conseguia ver as dunas, e algum arbustos perdidos em quilómetros. Nem me recordo como fui parar naquele lugar, parece que simplesmente caí ali e não achei modo de fugir, mas depois de alguns anos eu já havia me habituado e por mais estranho que fosse, aquelas noites gélidas me encantavam.Eram a minha recompensa por suportar os dias de calor. Distingui ao longe o acampamento e percebi aliviada que a temperatura estava ficando amena, a noite vinha caindo.
Algumas pessoas já me esperavam, acho que me atrasei mais do que esperava, mas tinha que verificar os acontecimentos do dia. Me contaram que tudo corria bem, e que apesar do calor, nenhum dos animais tinha sofrido. Estavam todos bem. Eram meus cavalos, não eram muitos, mas serviam aos nossos propósitos. Estavam todos soltos, tinham agua e poderiam escapar do sol perto das encostas. O acampamento era montado perto das montanhas, ali a areia era mais escassa e era possível encontrar plantas e tinha um poço, que era protegido pelos meus companheiros.
Depois de andar por ali e me tranquilizar, era preciso rever os planos e ver se estava tudo dentro do prazo, tínhamos serviço aquela noite.
Estudamos os mapas e marcamos as posições, dividimos o pessoal e distribuímos as funções. Encilhei meu cavalo e respirei fundo, íamos atacar uma cidade próxima e fazer o que sabíamos melhor: roubar.
Olhei para o meu parceiro, ele percebeu o brilho nos meus olhos e sorriu, era por isso que sempre estávamos juntos, não precisávamos trocar palavra nenhuma para saber o próximo passo. Acima de mim o céu estrelado me vigiava e encobria meus rastros torcendo com certeza pelo meu sucesso. Fechei os olhos e senti o frio vindo rápido, entrando na minha pele e me fazendo sentir viva. Era a hora de partir.
Subi no jipe e fui em na direcção oposta do sol, não que eu pretendesse fugir dele, mas meus objectivos eram do outro lado. Andando o mais rápido que a areia permitia eu pude enfim sentir uma brisa, mesmo que morna, a me refrescar. Ao redor eu só conseguia ver as dunas, e algum arbustos perdidos em quilómetros. Nem me recordo como fui parar naquele lugar, parece que simplesmente caí ali e não achei modo de fugir, mas depois de alguns anos eu já havia me habituado e por mais estranho que fosse, aquelas noites gélidas me encantavam.Eram a minha recompensa por suportar os dias de calor. Distingui ao longe o acampamento e percebi aliviada que a temperatura estava ficando amena, a noite vinha caindo.
Algumas pessoas já me esperavam, acho que me atrasei mais do que esperava, mas tinha que verificar os acontecimentos do dia. Me contaram que tudo corria bem, e que apesar do calor, nenhum dos animais tinha sofrido. Estavam todos bem. Eram meus cavalos, não eram muitos, mas serviam aos nossos propósitos. Estavam todos soltos, tinham agua e poderiam escapar do sol perto das encostas. O acampamento era montado perto das montanhas, ali a areia era mais escassa e era possível encontrar plantas e tinha um poço, que era protegido pelos meus companheiros.
Depois de andar por ali e me tranquilizar, era preciso rever os planos e ver se estava tudo dentro do prazo, tínhamos serviço aquela noite.
Estudamos os mapas e marcamos as posições, dividimos o pessoal e distribuímos as funções. Encilhei meu cavalo e respirei fundo, íamos atacar uma cidade próxima e fazer o que sabíamos melhor: roubar.
Olhei para o meu parceiro, ele percebeu o brilho nos meus olhos e sorriu, era por isso que sempre estávamos juntos, não precisávamos trocar palavra nenhuma para saber o próximo passo. Acima de mim o céu estrelado me vigiava e encobria meus rastros torcendo com certeza pelo meu sucesso. Fechei os olhos e senti o frio vindo rápido, entrando na minha pele e me fazendo sentir viva. Era a hora de partir.
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