Sou eu o senhor do meu destino! Sou eu o capitão da minha alma!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

And now

Acordou no meio da noite tentando lembrar que tipo de sonho estranho havia tido, e o máximo que conseguiu foi uma sensação triste, que talvez fosse melhor nem lembrar. Ligou a luz e procurou seus papéis, com os textos que ha muito tempo escreveu, pensou em ler, mas lembrou que sentia uma profunda tristeza ao lembrar da época mais feliz de sua vida. Havia perdido a inspiração e já a alguns anos não conseguia escrever mais, e por pior que fosse sabia que a culpa era somente dela, perdeu muita coisa um tempo depois, mas nem ligava, preferia ter perdido todo o amor que sentiu do que as palavras que teve. Ficou olhando na rua os raios do sol aparecerem e mais um dia nascer, pensou que talvez algo de bom poderia enfim acontecer. Mas pensava isso todas as manhãs e sentia como se um novo mundo se abrisse junto com a porta de saída. Mas sabia também que tinha dado demais de si para os outros e perdido tudo, tudo que mais amava. Saiu de casa com esperança, odiava sentir-se esperançosa, mas essa não durava muito felizmente. Olhava sempre tudo ao seu redor , mas dificilmente via as coisas, espiava alem do que estava ali, procurando desesperadamente o que havia perdido, no fundo queria que estivesse por ali em algum lugar escondida, abandonada, esperando ser salva do esquecimento e poder de novo dominar seus pensamentos, ou o que restasse deles. Só que nada mudava nunca, era sempre o mesmo caminho, as mesmas pedras, o mesmo vento. Não sei ao certo, mas parece que ela nunca tentou procurar mais perto, ali, dentro dela. Talvez tivesse medo de não achar também ou de achar e ver que quebrou até o que tinha de melhor. Sabia que se não fizesse nada iria viver assim pra sempre, igual todo mundo e isso a assustava demais. Os dias passavam sempre rápido, era tanta gente zumbindo que não tinha tempo de ouvir seus próprios pensamentos, mas a noite sabia que não poderia fugir deles, sabia que já estava na hora de fazer algo, senão seria tarde demais. Precisa escolher o que era mais importante, e já não queria mais ajudar ninguém por que precisa de toda a ajuda pra si mesma. Foi embora olhando a lua nascer. Aquele havia sido um dia singular, alguma coisa realmente mudou. Acho que ela desistiu de vez das pessoas, pode ter enfim descoberto o que precisava. Palavras, era isso que ela via no céu, era isso que ela queria ter visto sempre.

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