Tirei os arreios do cavalo e deixei ele livre para fazer o que quisesse, sentei no chão e fiquei olhando o vulto se distanciar, o silencio me pegou fitando as estrelas, meus pensamentos viajavam longe, a procura de uma outra direção para irmos.
Levantei,olhei ao redor o acampamento estava escuro, todos já haviam se recolhido era a minha vez, mas tinha alguns assuntos para resolver, entrei no jipe e fui embora. Deixei carro no pátio e fui juntar minhas coisas, eram tão poucas que cabiam em uma mochila, não tinha ali lembrança nenhuma a levar e minhas roupas eram escassas, o que mais fazia volume eram os livros, alguns muito velhos, mas que eu nao conseguia me desfazer. Fechei tudo e deixei minha pequena tenda arrumada, como se ninguem tivesse estado ali. Ao amanhecer iriam perceber minha partida, mas nesse momento estariamos muito longe. Eu tinha decidido partir novamente e deixar a civilização para trás de vez. Ia junto com a caravana, morar no deserto, ou aonde quer que eles fossem. Essa liberdade me perseguia e após resistir tanto tempo, ela estava hoje me levando de vez.
Saí ainda era noite, tinha umas 4 horas até amanhacer,teria tempo de chegar ao acampamento no momento em que eles estivessem partindo. Ao partir não olhei para tráz já sabia o que estava deixando e havia levado tempo demais para me decidir, talvez dessa forma eu teria certeza de não me arrepender , mas isso era algo dificil de saber naquele momento.
Avistei ao longe as luzes do acampamento. Elas se moviam, aparentemente já estavam se aprontando para partir, apertei o passo, com medo de perder o momento de novo, pois sabia que eles não me esperariam, esse era o trato. Afinal eu não poderia atrasar a partida, era disso que dependia o futuro deles.Precisavam ir embora rápido sem deixar vestígios nem pegadas, permanecer com seus destinos anônimos.
Ao me avistarem, acenaram e percebi que ficaram felizes em me ver, me senti parte de algo importante, me senti especial sem perder nada. Peguei meu cavalo, meu único bem e meu companheiro, montei e esperei a marcha iniciar. Fui chamada a frente da caravana e junto com outros decidi o caminho a seguir, minha opinião foi questionada e ouvida, eu já fazia parte deles e minha parte não era pequena.
Era madrugada ainda, as estrelas brilhavam nos indicando o caminho, iamos em busca de uma nova casa, que duraria pouco, mas que como todas as outras teria um papel importante na vida de todos. E eu ia em busca da minha liberdade,em uma perseguição acirrada sem deixar que ela tomasse vantagem alguma e se perdesse de mim.
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