Sou eu o senhor do meu destino! Sou eu o capitão da minha alma!

domingo, 3 de outubro de 2010

O acampamento

Um avião roncou muito longe, quase imperceptível como se o calor abafasse também os sons, eu nem conseguia pensar, nem levantar. Esperei o som desaparecer e continuei sem me mover, esperando que dessa forma parasse de sentir calor. Pelas janelas eu via somente o sol e a areia, por mais que as horas passassem não mudava em nada a temperatura. Eu me sentia derreter aos poucos, precisava fazer algo para mudar aquela triste cena, queria sair, chegar em algum mais agradável. Levantei. Acho que levei uns trinta minutos nessa manobra, resolvi tomar um banho. Não sei o que era mais quente, meu corpo ou a água. Nem havia terminado de me secar e já escorria suor e só de pensar em colocar uma roupa me senti mais quente. Não sei como consegui, mas depois de algum tempo estava pronta para sair.
Subi no jipe e fui em na direcção oposta do sol, não que eu pretendesse fugir dele, mas meus objectivos eram do outro lado. Andando o mais rápido que a areia permitia eu pude enfim sentir uma brisa, mesmo que morna, a me refrescar. Ao redor eu só conseguia ver as dunas, e algum arbustos perdidos em quilómetros. Nem me recordo como fui parar naquele lugar, parece que simplesmente caí ali e não achei modo de fugir, mas depois de alguns anos eu já havia me habituado e por mais estranho que fosse, aquelas noites gélidas me encantavam.Eram a minha recompensa por suportar os dias de calor. Distingui ao longe o acampamento e percebi aliviada que a temperatura estava ficando amena, a noite vinha caindo.
Algumas pessoas já me esperavam, acho que me atrasei mais do que esperava, mas tinha que verificar os acontecimentos do dia. Me contaram que tudo corria bem, e que apesar do calor, nenhum dos animais tinha sofrido. Estavam todos bem. Eram meus cavalos, não eram muitos, mas serviam aos nossos propósitos. Estavam todos soltos, tinham agua e poderiam escapar do sol perto das encostas. O acampamento era montado perto das montanhas, ali a areia era mais escassa e era possível encontrar plantas e tinha um poço, que era protegido pelos meus companheiros.
Depois de andar por ali e me tranquilizar, era preciso rever os planos e ver se estava tudo dentro do prazo, tínhamos serviço aquela noite.
Estudamos os mapas e marcamos as posições, dividimos o pessoal e distribuímos as funções. Encilhei meu cavalo e respirei fundo, íamos atacar uma cidade próxima e fazer o que sabíamos melhor: roubar.
Olhei para o meu parceiro, ele percebeu o brilho nos meus olhos e sorriu, era por isso que sempre estávamos juntos, não precisávamos trocar palavra nenhuma para saber o próximo passo. Acima de mim o céu estrelado me vigiava e encobria meus rastros torcendo com certeza pelo meu sucesso. Fechei os olhos e senti o frio vindo rápido, entrando na minha pele e me fazendo sentir viva. Era a hora de partir.

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