Os cavalos já estavam acostumados com a noite e a areia. O frio era o que mais assustava, mas nós havíamos passado por situações semelhantes inúmeras vezes e aquilo era apenas uma brisa. Para mim significava mais, me sentia mais livre do que em qualquer outro momento, poderia conquistar o que quisesse, só que não queria adquirir bens, queria preencher alma e satisfazer meus instintos.
Íamos todos em silêncio, era algo natural em nós, não tínhamos o que falar ainda e sabíamos os procedimentos, apenas olhávamos o céu e admirávamos as estrelas, por que a lua naquele momento estava nos dando a chance de permanecermos anónimos. Eu sentia o calor que saia da minha montaria e me aquecia também e mais que isso, sentia o pulsar ritmado do seu coração, como se fosse parte de mim, batendo compassado com o meu, ambos calmos fazendo algo que nos satisfazia.
Meus olhos ardiam um pouco, devido ao frio, afinal eram a única parte do meu corpo em contato com o ar, o restante encontrava-se completamente encoberto por roupas pretas e um turbante, para proteger do frio e esconder a identidade.
As luzes escassas da cidade começavam a despontar vagarosamente, ainda estava longe mas avançávamos rápido e em questão de minutos já estaríamos começando a agir. Senti um arrepio percorrer meu corpo, criando um misto de prazer e medo, fazendo com que me sentisse mais viva. A cidade tinha enormes muralhas, mas que de forma alguma eram um obstáculo. Em todos os roubos feitos, nunca fomos pegos ou vistos, não deixávamos pistas nem vestígios se não fosse a falta dos objetos não saberiam que alguém entrou sem ser convidado.
Me encontrava a uns cem metros do portão principal, esperamos a confirmação de que todos estavam em seus lugares e nos preparamos. O silencio do deserto e a cumplicidade da lua nos encobria. Prontos escalamos os muros como quem sobe escadas, não éramos amadores e sabíamos os riscos. Dentro da cidade nos esgueiramos, mesmo que desnecessariamente, pois naquelas noites frias ninguém se aventurava a sair. Pegávamos de tudo, dinheiro, comida, roupas, armas e alguns de nós tinham seus próprios tesouros a caçar. Em trinta minutos já estávamos longe dos muros da cidade e tudo la dentro continuava igual, talvez algumas coisas faltavam, mas ninguém morreria por isso.
ah, obrigado 'c'. Fico feliz que tenha gostado do que escrevi
ResponderExcluirEsse texto seu me faz pensar sobre os fantasmas das cidades fantasmas.
:)