Sou eu o senhor do meu destino! Sou eu o capitão da minha alma!

sábado, 16 de outubro de 2010

A noite

Os cavalos já estavam acostumados com a noite e a areia. O frio era o que mais assustava, mas nós havíamos passado por situações semelhantes inúmeras vezes e aquilo era apenas uma brisa. Para mim significava mais, me sentia mais livre do que em qualquer outro momento, poderia conquistar o que quisesse, só que não queria adquirir bens, queria preencher alma e satisfazer meus instintos.
Íamos todos em silêncio, era algo natural em nós, não tínhamos o que falar ainda e sabíamos os procedimentos, apenas olhávamos o céu e admirávamos as estrelas, por que a lua naquele momento estava nos dando a chance de permanecermos anónimos. Eu sentia o calor que saia da minha montaria e me aquecia também e mais que isso, sentia o pulsar ritmado do seu coração, como se fosse parte de mim, batendo compassado com o meu, ambos calmos fazendo algo que nos satisfazia.
Meus olhos ardiam um pouco, devido ao frio, afinal eram a única parte do meu corpo em contato com o ar, o restante encontrava-se completamente encoberto por roupas pretas e um turbante, para proteger do frio e esconder a identidade.
As luzes escassas da cidade começavam a despontar vagarosamente, ainda estava longe mas avançávamos rápido e em questão de minutos já estaríamos começando a agir. Senti um arrepio percorrer meu corpo, criando um misto de prazer e medo, fazendo com que me sentisse mais viva. A cidade tinha enormes muralhas, mas que de forma alguma eram um obstáculo. Em todos os roubos feitos, nunca fomos pegos ou vistos, não deixávamos pistas nem vestígios se não fosse a falta dos objetos não saberiam que alguém entrou sem ser convidado.
Me encontrava a uns cem metros do portão principal, esperamos a confirmação de que todos estavam em seus lugares e nos preparamos. O silencio do deserto e a cumplicidade da lua nos encobria. Prontos escalamos os muros como quem sobe escadas, não éramos amadores e sabíamos os riscos. Dentro da cidade nos esgueiramos, mesmo que desnecessariamente, pois naquelas noites frias ninguém se aventurava a sair. Pegávamos de tudo, dinheiro, comida, roupas, armas e alguns de nós tinham seus próprios tesouros a caçar. Em trinta minutos já estávamos longe dos muros da cidade e tudo la dentro continuava igual, talvez algumas coisas faltavam, mas ninguém morreria por isso.

Um comentário:

  1. ah, obrigado 'c'. Fico feliz que tenha gostado do que escrevi
    Esse texto seu me faz pensar sobre os fantasmas das cidades fantasmas.
    :)

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