Quando olhou para o céu sentiu que estava novamente sozinha, mas intimamente sentiu um alívio tão sincero que por um momento achou que estava sendo egoísta, não tinha certeza de que caminho deveria tomar, mas naquele momento nem pensava em nada. Aquela escuridão da madrugada e as estrelas a perfurarem o céu lhe hipnotizavam.
Queria se convencer de que iria sofrer se ficasse sozinha, que precisava de alguem ao seu lado, mas não conseguia, não era uma mentira que poderia se tornar verdade se ela acreditasse, estava bem e apesar de ninguém acreditar nisso, procurava um tempo para ficar sozinha consigo mesma.
Não que fosse dificil, mas as vezes parecia não surgir oportunidades. Agora ela olhava a lua e sorria, pensando nas coisas que aconteceram e no que ainda estava por vir. Tinha tanto a decidir, mas nao queria nem pensar a respeito, queria só aproveitar a solidão que a envolvia. Era mais que estar só, era estar de alguma forma livre de tudo, até de si mesma.
Levantou do banco e foi caminhando, escutando apenas os seus passos que ecoavam na noite, sentiu um vento morno a envolver-lhe como um abraço, e não sentiu saudades, olhou o céu e viu as nuvens surgindo aos poucos, em instantes pode sentir a chuva cair, quente e pesada, lavando seu corpo e levando embora com as gotas, aquelas memórias que a perseguiram no passado.
gostei, como se estivesse lavando a alma e deixando tudo para trás
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