Sou eu o senhor do meu destino! Sou eu o capitão da minha alma!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

E o verão acabou

-Choveu enquanto estive fora?
-nao sei, não lembro
eu fui abduzida semana passada
dai agora voltei
mas eu to bem
acho que foi só um sonho
mas essas coisas acontecem com todo mundo
a gente tem que se conformar
pelo menos eles servem cafe
-eh verdade, eu vi, nao tava la dentro mas vi pela janela,
havia um vidro quebrado e os outros estavam sujos
-mas eu pedi para eles nao fazerem mais isso
essas coisa nao funcionam bem na segunda vez
é preciso ser firme, mas o telhado caiu, acho que tinha cupins
mas eram cupins de fora do planeta
-a segunda vez vai ser ao ar livre, embaixo dos pinus,
-entao ele sao mais eficientes
-numa noite de neblina.
cupins nao enxergam nessas condições
nem aqueles de metais
nem os cupins verdes
e a proposito, os verdes são sacanas
-eles me pediram para levar guarda chuva
mas estavam insinuando coisas e eu achei que eles nao ouviam direito
mas foi rapido sabe
nem deu pra ver direito,tava chovendo, acho que era verao.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Esse foi um beijo de despedida

O trem começou a se mover lentamente, olhei pela janela e vi apenas os tijolos sujos da estação me acompanhando.Encostei a cabeça na poltrona e fechei os olhos esperando dormir um pouco, até chegar no meu destino, mas ao invés disso meus pensamentos resolveram ter vida própria e tudo que eu menos queria naquela momento era lembrar de qualquer coisa, queria que as lembranças ficassem na estação, junto com minhas tristezas e o passado.
Olhei pela janela e encontrei a noite tomando conta de tudo e ali ao meu lado a lua a me acompanhar, achei que talvez fosse o momento de fazer algumas perguntas que me atormentavam e não conhecia ninguem melhor que ela para me responder.
Mas o silêncio entre a gente permaneceu intacto, eu novamente não tinha coragem de falar e ela não me incitava a tentar, no fundo ela sabia que não eram necessarias aquelas respostas eu já as tinha a muito tempo, mas havia perdido a vontade de lembrar.
Dormi assim sem perceber e quando acordei me encontrava em outro lugar,olhei pelo vidro e vi as nuvens pesadas e o céu muito escuro, parecia que olhava dentro de mim.E aquela sensação de vazio que me era tão familiar estava de volta. Ali na estação olhei para o céu e contei as gostas que caiam em camera lenta, era a cidade chorando pelos que partiam, ou pelo que perdia?
Eu não chorava mais, sentia o cinza que cobria cidade e o frio que congelava até os ossos, estava em casa, como se tivesse nascido das entranhas daquela terra, como um pedaço sujo e gelado daquele lugar.

domingo, 7 de novembro de 2010

Lá longe

E quando eu vi já nao tinha mais os pés no chão, sentia o vento me levantar, me levar como eu quisesse ou como ele preferisse. Meus pensamentos foram levados repentinamente pelo vento, arrastados e espalhados pelo céu, por entre as montanhas brancas que se estendiam acima de mim e as verdes sob meus pés. Senti os sussuros vindos de todos os lados, querendo me contar muitos segredos, mas fugindo antes que eu pudesse entender, deixando apenas a vontade de ir atrás, de perseguir até não ter mais forças para seguir em frente.
Ao abrir os olhos de novo percebi que poderia tocar o teto, e que ali a única coisa que existia era o céu imenso, infinitamente belo e de uma forma que fazia meu ser não querer nada, apenas sentir toda aquela liberdade.
Mas era tão grande que não cabia todo dentro de mim, eu não poderia guardar, nem levar comigo pra sentir depois, estava lá ao meu alcance mas mesmo assim ainda estava longe, e com medo de perder me deixei transbordar pelo vento e ser carregada pelas correntes subindo, apenas subindo. Indo de encontro ao nada, só indo.